Faria, Candido Aragonês de (1849-1911)

Faria iniciou suas actividades artísticas como caricaturista em 1866.   
Nos primeiros anos de sua carreira, colaborou no semanário satírico A Pacotilha, depois transformado em Pandokeu, cabendo-lhe a quase exclusividade das ilustrações.
Em 19 de Setembro de 1869 fundou o semanário 0 Mosquito, cabendo-lhe a exclusividade das ilustrações e, por certo tempo, a propriedade (18.09.1870 a 13.15.1871).
Em 14 de abril de 1871 esse semanário absorveu a revista 0 Lobisomen, do litógrafo Antônio Alves do Vale (algumas obras trazem a assinatura de ambos, de Faria e de Vale).
Em junho de 1874, Cândido lançou outro semanário, 0 Mefistófeles, inteiramente ilustrado por ele. Este semanário circulou até dezembro de 1875, quando foi absorvido pelo Mosquito.
De 1869 a 1874 colaborou na ilustração da revista A Vida Fluminense, que passou a denominar-se 0 Fígaro em maio de 1876. Nesse ano, em agosto, foi-lhe conferido também o direito de exclusividade das ilustrações.
A partir de 19 de outubro de 1876, Cândido de Faria colaborou nos semanários 0 Ganganelli e 0 Mequetrefe. Em 23 de junho de 1877, lançou a revista 0 Diabrete.
Colaborou, igualmente, em outras revistas relativamente efémeras, como A Comédia Popular, A Galeria, Ziguezague, Ba-Ta-Clan...
Todos esses semanários eram de cunho político-social e tinham como características principais, o anticlericalismo e o humorismo. Tal como Gavarni e Daumier, Faria criticou, com seus desenhos, os políticos de seu tempo e pôs em destaque os vícios da cidade do Rio de Janeiro.
Faria viveu em Buenos Aires durante três anos, de julho de 1879 a julho de 1882, onde colaboraria, desde a sua chegada, com a ilustração do mais célebre semanário satírico argentino, El Mosquito. Ilustrou, a título quase exclusivo, a nova revista La Cotorra, utilizando para tanto, pela primeira vez na América do Sul, o processo da cromolitografia (composições coloridas). Mais tarde ganhou a exclusividade para ilustrar o semanário literário e artístico El Correo del Domingo e o diário El Gráfico.
Em 1882, Faria mudou-se para Paris, onde se radicou definitivamente.
A princípio Faria tomou-se conhecido por suas ilustrações de livros (Le fils de Porthos, de Paul Mahalin, L'enfant d'Une vierge, de Alfred Sirven, Pour rire à deux, de Olympe Audouard ... ), de revistas (La Caricature, de Robida, Le Papillon, Le Monde illustré e mais tarde La Musique pour tous ... ) e sobretudo de partituras (canções, romances e operetas de Justino Clerice, Louis Ganne, Charles Lecocq, Olivier Metra, Edmond Missa, Robert Planquette, Vincent Scotto, etc.).
No fim do século, em 1895, Faria criou, com a ajuda de dois litógrafos, Sebaïn e Axelrod, os primeiros cartazes de espectáculos: de café-concerto, de concertos, de música clássica, e de operetas, bem como cartazes de circo, de desportos, de turismo e de publicidade.
Em 1902, o artista criou o primeiro cartaz de cinema: Les victimes de l'alcoolisme (filme de Ferdinand Zecca, inspirado na obra de Emile Zola, L'assommoir) e durante dez anos foi o autor de uma série admirável de cartazes de filmes encomendados pela firma de cinema Pathé, fundada pelos irmãos Charles et Emile Pathé.
Cândido de Faria faleceu a 17 de dezembro de 1911, aos 62 anos, no seu ateliê em Montmartre, tendo deixado sobre o cavalete uma litografia inacabada, o retrato de Eugénie Buffet (artista de café-concerto)


Faria, Candido Aragonês de (1849-1911)


Faria started his artistic activities as a caricaturist in 1866.
In the beginning of his career he has contributed to the satirical periodic A Pacotilha, later renamed Pandokeu, having close to the exclusivity of the illustrations.
In 19 of September, 1869 he started the weekly periodic 0 Mosquito, having the exclusivity of the illustrations and, for a while, the ownership (18.09.1870 to 13.15.1871).
In April, 14th, 1871 this periodic absorbed the magazine 0 Lobisomen, belonging to the lithographer António Alves do Vale (some works are sign by both, Faria and Vale).
In June, 1874, Cândido started, yet, another weekly periodic, 0 Mefistófeles, entirely illustrated by him. This paper got out of circulation in December, 1875, when it was absorbed by Mosquito.
From 1869 to 1874 he has cooperated on the illustrations published by the magazine A Vida Fluminense, which, in May 1876, changed its name to 0 Fígaro. In the same year, in August, he has earned the right to the exclusivity of the illustrations.
From 19 October, 1876, Cândido de Faria contributed to the weekly periodicals 0 Ganganelli and 0 Mequetrefe. In June, 23rd, 1877, he started the magazine 0 Diabrete.
He has, as well, published in other rather ephemera magazines such as: A Comédia Popular, A Galeria, Ziguezague, Ba-Ta-Clan...
All those weekly magazines were of a social-political nature and had as their main characteristics the ant clergy and satire. Like Gavarni and Daumier, Faria has criticized , using his drawings full of humour, the politicians of his time and highlighting the vices of the city of Rio de Janeiro.
Faria lived in Buenos Aires for three years, from July 1879 to July 1882, where he has worked, since his arrival, on the illustration of the most famous Argentinean weekly humoristic publication, El Mosquito. He has illustrated, almost exclusively, the new magazine La Cotorra, using, for the first time in South America, the process of chromolithography (colourful compositions). Later he has earned the exclusivity to illustrate the artistic and literary weekly El Correo del Domingo and the daily El Gráfico.
In 1882, Faria moved, permanently, to Paris.
At first, Faria became famous due to his illustrations of books (Le fils de Porthos, by Paul Mahalin, L'enfant d'Une vierge, by Alfred Sirven, Pour rire à deux, by Olympe Audouard ... ), magazines (La Caricature, by Robida, Le Papillon, Le Monde illustré and, later on, La Musique pour tous ... ) but mainly because of his illustrations on music sheets (songs, romances and operettas by Justino Clerice, Louis Ganne, Charles Lecocq, Olivier Metra, Edmond Missa, Robert Planquette, Vincent Scotto etc.).
By the end of the century, in 1895, Faria has created, with the help of two lithographers, Sebaïn and Axelrod, the first posters to shows, from cafe-concerto, classical music, operettas, concertos, as well as posters to the circus, tourism and advertising..
In 1902, the artist created the very first poster for a movie Les victimes de l'alcoolisme (film by Ferdinand Zecca, based on na obra de Emile Zola,) L'assommoir and in the period of ten years he produced a remarkable collection of posters to movies ordered by the movies’ company, Pathé, fundada by Charles et Emile Pathé.
Cândido de Faria died on September 17, 1911, at the age of 62, in his atelier in Montmartre, having left on his easel an unfinished lithography, the portrait of Eugénie Buffet (artist of cafe-concerto).